segunda-feira, 26 de maio de 2008

Ó meu Brasiiill!

E tem gente que acha que já viu de tudo...

Na semana nostálgica, nada melhor que relembrar os velhos e bons tempos, ou melhor, tentar. Bar fudido, cerveja cara, amigos, e apenas um banheiro. Savassi. Com tanto lugar bom e diferente para ir, preferimos ficar no Cantinho dos Amigos, vulgo, Bar da Velha. Acho que o lugar faz jus à viagem podre para chegar a ele. Trinta e sete minutos no ponto de ônibus, mais meia hora dentro dele e mais dez minutos a pé. É o encontro da Fernandes Tourinho com a Paraná.

Antes de chegar ao destino, faço uma parada no Carrefour e compro uma caipiroska ou Orloff e um Black, ou LA. Sinal fechado, Hippie fazendo malabarismo, menino vendendo balas e eu esperando. Passando pelo MC Donalds, vejo crianças comendo os restos deixados pelos fregueses e meninas vendendo flores. Inocentes igual ao crepúsculo.

Outro sinal, mas dessa vez, é um paraplégico pedindo esmola. Atravesso a rua e estou em casa. Punks, metaleiros, roqueiros, maconheiros, gays, intelectuais, hippies, pobres, ricos. Subindo a rua, encontro o passado. Apesar dos piercings e tattoos a mais, as caras permanecem as mesmas, as risadas se intensificam e a fumaça sobe, enquanto a poeira é absorvida. A loucura dissolve e os sorrisos aparecem. Pronto, todos exercem seus papéis. Alguns lêem, fumam, bebem, beijam, outros riem, correm, dançam e deliram. Estamos mais sensíveis, pensativos e inebriados. Resolvo andar pelas ruas e assistir ao por do sol. Vejo pessoas andando correndo, escuto muitas buzinas e sinto o ar mais pesado.

Vejo tudo transformado.

A noite chega e aquela inocência das meninas que vendiam flores é apagada. Agora, elas não vendem mais as flores, elas é quem são vendidas. Alguns baleiros passam a vender outros tipos de balas e doces, alguns tomadores de conta de carros passam a tomar contas de plantinhas e o playboyzinho resolve dar uma graninha para um morador do morro.

Acho melhor voltar pro bar antes que eu me perca. No caminho, um homem alto, magro, com a cara tampada pela blusa começa a me seguir. Fico mais pálida do que já sou. Aperto o passo. Encontro meus amigos e dou aquela respirada de alívio! A mesa está cada vez maior, mais cheia, e os copos não param. Tudo está colorido e alegre. Até dou dinheiro para uma senhora que precisa pegar o ônibus para ir embora e ninguém se hesita em dar cigarro para um bêbado.

O tempo voa e algumas pessoas desaparecem. Vamos para a praça, pro Maranhão, passamos pela porta da Obra, Mary in Hell, voltamos para a praça e ficamos até o amanhecer. A fome acorda, então, vamos comer no Mc Donalds. Enquanto comemos, observo um cara vestido igual a um cafetão acompanhado de duas loiras gostosas, que não vacilam em abusar do decote e no comprimento da saia. Vejo-o entregando um bolo de dinheiro, em dólar, para cada uma, despedindo delas, com uma pegada, e saindo com seu carro pouco discreto. Isso me lembrou do rapaz que vi durante a madrugada. Ele estava andando pela rua deserta, quando, de repente, um carro preto apareceu, ele entrou nesse e desceu na última esquina. Quase me convenci de que eu era um figurante daqueles filmes de ação.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Ain´t no other

Aconteceu. Foi de repente, inusitado, ela não conseguia evitá-lo. “Não é possível”, pensava a mulher. “O que eu faço agora?”. Não compreendia ao certo o que era. Ele inebriava-a, fazia-a feliz e deixava-a confusa. Fazia seu coração disparar, bater cada vez mais forte toda vez que a via. Seu rosto corava e sua respiração tornava-se ofegante. “Será?”. “O que os outros vão pensar?”. Ele deixava-a apavorada, desnorteada e era contra o sistema. Era proibido e secreto.

Só a mulher sabia, só ela sentia, mas ainda assim, não acreditava. Gostava de estar com ela e observá-la. Aos pouco o aceitou e aprendeu a conviver com ele, mas não sabia se ela fizera o mesmo, se o coração dela também disparava e se ela o queria. Aquele sentimento era gostoso, independente do sexo, apenas amor.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Teatro de Vampiros

Eu te contarei uma história de como um porto-riquenho me roubou o coração. Era bom moço com grandes e profundos olhos marrons, um bailarino. Juntos nos perdemos no ritmo do amor, nem sei como começou.

Nos conhecemos em um circo em Veneza, atrás do palco, iluminado pelo fogo reluzente. Seu olhar caliente me hipnotizou e por minha beleza ele se fascinou. Saímos para ver o luar e naquela noite ele me fez apaixonar. Nunca tinha sentido nada assim, tão profundo, tão secreto, tão proibido.

Pude provar da liberdade, pude provar da morte e acordar faminta pelo sangue cálido. Como meu mestre ele cortou seus pulsos, onde pude me saciar. Estávamos unidos em um só pulsar, capaz de estourar nossas artérias e incendiar nossos corpos.

Nos tornamos amantes das trevas, sanguinários apaixonados e por isso fomos condenados a vida eterna. Estivemos nos sete mares, mas foi em Paris que vivemos milhares de anos. Éramos seduzidos pelo teatro e inebriados pelo espetáculo.

O tempo se passou e com ele nosso amor se acabou. Nunca mais eu volto a amar dessa maneira. Talvez nunca a faça. Essa foi a história do meu último amor.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Here I Go Again On My Own

O pulmão fica denso, a respiração escurece, os olhos enchem e as lágrimas caem. O melhor remédio, por ser único, é o tempo. Enquanto ele não chega, não passa, quase perco as esperanças. Penso em desistir. Acho que não vou conseguir. É quase impossível, que nem forças tenho para recomeçar.

Só queria conseguir, alcançar o esperado e melhorar. E isso só depende de mim e, principalmente, de meu esforço. Confesso que ultimamente eu não tenho me esforçado muito, mas para isso, fiz o possível, e fracassei. Tentei diversos caminhos, exceto um, o mais chato, o que menos pensei que me ajudaria e, no entanto, posso estar errada. Espero que ele seja a solução, senão, tentarei, tentarei, porque tenho que conseguir. Infelizmente, ou ainda bem, não existi a opção “desistir”.
"Goin' down the only road I've ever known"

quarta-feira, 14 de maio de 2008

M.L.

















Loira Rebelde
Loira Sedutora
Loira Inocente
Loira Dominadora
Loira Elegante
Loira Inovadora
Loira Provocante
Loira Comportada
Loira Punk
Loira Abandonada
Loira Sucesso
Loira Mudada
Loira a La Monroe
Loira Dama
Loira Puta
Loira Mãe

Morena Selvagem
Morena Madura
Morena Milionária
Morena Secreta
Morena Humanitária
Morena Libertadora
Morena Misteriosa

Loira Pop
Morena Rock
Loira Inesquecível
Morena Insubstituível

Sexo, Dança
Dinheiro, Arte
Amor, Interesse

Loira, Morena
Duas esmeraldas separadas
Um rubi rachado, ambos em fundo branco

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Bang - Bang!

Bang bang. He shot me down
Bang bang. I hit the ground
Bang bang. That awful sound
Bang bang. My baby shot me down



Em uma quinta-feira fria, ensolarada e sem a pressão de ter que estudar para as provas de sexta, não há nada melhor que almoçar aquela comida, assistir àquele documentário sobre peixes abissais sem se preocupar em resistir ao sono e, cochilar no sofá, é claro.

Ao acordar com a trilha sonora um pouco mais alta, resolvo tirar fotos e brincar com os cachorros enquanto espero o beija-flor aparecer para clicá-lo. A tarde está calma, os passarinhos cantam e o céu está limpo, sem nuvens e sem rastros de aviões. O sol brilha mais e as cores estão mais intensas. Não sei se é porque estou feliz, talvez mais sensível, mas o dia exala alegria.

Por um tempo, acho que ainda estou sonhando, até que escuto a companhia tocar. Pronto. A morte bate à minha porta. O dia não exala mais alegria, e sim sofrimento, tristeza, infelicidade. Escuto a voz de uma velhinha implorando por dinheiro, humilhando-se por qualquer quantia. Enquanto me explica que sua casa caiu, que seu marido está doente, precisa de ajuda e que... Já não consigo mais escutar, os cachorros começam a latir freneticamente e a voz da senhora, que já era baixa, desaparece por completo. Tudo que eu consigo dizer é que não posso ajudá-la. Perco a voz, meus olhos ficam apertados e meu coração chora. Chego à janela e, através dos buraquinhos do portão da casa, consigo ver, ainda que precariamente, a mulher. Sinto uma vontade tremenda de abrir a porta e deixá-la entrar, de lhe entregar uma nota de R$50,00 e deixá-la descansar. Ao mesmo tempo, penso nas possibilidades de ser um golpe, uma armação, então, fico confusa, e começo a pensar nesse mundo estranho em que vivemos.

Não podemos simplesmente ajudar a alguém, parar na rua e dar comida a uma criança desnutrida, comprar um remédio para um idoso que pede ajuda na porta de nossa casa, dar carona a um estudante, deixar o vidro do carro aberto ao pararmos em um sinal, andar a pé sem medo, sem ligar a visão 360 graus. Somos obrigados a enjaular nosso próprio lar, aumentar o tamanho do muro, colocar cerca elétrica, contratar vigilantes 24 horas, conferir todas as noites se as portas estão bem trancadas, se as janelas estão fechadas e dormir com um ouvido acordado.

Meu dia foi por terra abaixo, só me resta escrever e desabafar meus sentimentos. Abro o jornal, e mais tragédias, ligo a TV, mais conflitos e, o caso da Isabella continua na mídia. A cada dia, divulgam mais a crueldade e frieza do casal Nardoni, mas não é isso que mais me choca, e sim, saber que casos como esse existem aos milhares, e nem sabemos. Em uma sociedade vil, gananciosa, desigual e corrupta, é difícil ter esperança e crer na bondade, mas ainda assim acredito em uma coisa chamada amor.