E tem gente que acha que já viu de tudo...
Na semana nostálgica, nada melhor que relembrar os velhos e bons tempos, ou melhor, tentar. Bar fudido, cerveja cara, amigos, e apenas um banheiro. Savassi. Com tanto lugar bom e diferente para ir, preferimos ficar no Cantinho dos Amigos, vulgo, Bar da Velha. Acho que o lugar faz jus à viagem podre para chegar a ele. Trinta e sete minutos no ponto de ônibus, mais meia hora dentro dele e mais dez minutos a pé. É o encontro da Fernandes Tourinho com a Paraná.
Antes de chegar ao destino, faço uma parada no Carrefour e compro uma caipiroska ou Orloff e um Black, ou LA. Sinal fechado, Hippie fazendo malabarismo, menino vendendo balas e eu esperando. Passando pelo MC Donalds, vejo crianças comendo os restos deixados pelos fregueses e meninas vendendo flores. Inocentes igual ao crepúsculo.
Outro sinal, mas dessa vez, é um paraplégico pedindo esmola. Atravesso a rua e estou em casa. Punks, metaleiros, roqueiros, maconheiros, gays, intelectuais, hippies, pobres, ricos. Subindo a rua, encontro o passado. Apesar dos piercings e tattoos a mais, as caras permanecem as mesmas, as risadas se intensificam e a fumaça sobe, enquanto a poeira é absorvida. A loucura dissolve e os sorrisos aparecem. Pronto, todos exercem seus papéis. Alguns lêem, fumam, bebem, beijam, outros riem, correm, dançam e deliram. Estamos mais sensíveis, pensativos e inebriados. Resolvo andar pelas ruas e assistir ao por do sol. Vejo pessoas andando correndo, escuto muitas buzinas e sinto o ar mais pesado.
Vejo tudo transformado.
A noite chega e aquela inocência das meninas que vendiam flores é apagada. Agora, elas não vendem mais as flores, elas é quem são vendidas. Alguns baleiros passam a vender outros tipos de balas e doces, alguns tomadores de conta de carros passam a tomar contas de plantinhas e o playboyzinho resolve dar uma graninha para um morador do morro.
Acho melhor voltar pro bar antes que eu me perca. No caminho, um homem alto, magro, com a cara tampada pela blusa começa a me seguir. Fico mais pálida do que já sou. Aperto o passo. Encontro meus amigos e dou aquela respirada de alívio! A mesa está cada vez maior, mais cheia, e os copos não param. Tudo está colorido e alegre. Até dou dinheiro para uma senhora que precisa pegar o ônibus para ir embora e ninguém se hesita em dar cigarro para um bêbado.
O tempo voa e algumas pessoas desaparecem. Vamos para a praça, pro Maranhão, passamos pela porta da Obra, Mary in Hell, voltamos para a praça e ficamos até o amanhecer. A fome acorda, então, vamos comer no Mc Donalds. Enquanto comemos, observo um cara vestido igual a um cafetão acompanhado de duas loiras gostosas, que não vacilam em abusar do decote e no comprimento da saia. Vejo-o entregando um bolo de dinheiro, em dólar, para cada uma, despedindo delas, com uma pegada, e saindo com seu carro pouco discreto. Isso me lembrou do rapaz que vi durante a madrugada. Ele estava andando pela rua deserta, quando, de repente, um carro preto apareceu, ele entrou nesse e desceu na última esquina. Quase me convenci de que eu era um figurante daqueles filmes de ação.
Na semana nostálgica, nada melhor que relembrar os velhos e bons tempos, ou melhor, tentar. Bar fudido, cerveja cara, amigos, e apenas um banheiro. Savassi. Com tanto lugar bom e diferente para ir, preferimos ficar no Cantinho dos Amigos, vulgo, Bar da Velha. Acho que o lugar faz jus à viagem podre para chegar a ele. Trinta e sete minutos no ponto de ônibus, mais meia hora dentro dele e mais dez minutos a pé. É o encontro da Fernandes Tourinho com a Paraná.
Antes de chegar ao destino, faço uma parada no Carrefour e compro uma caipiroska ou Orloff e um Black, ou LA. Sinal fechado, Hippie fazendo malabarismo, menino vendendo balas e eu esperando. Passando pelo MC Donalds, vejo crianças comendo os restos deixados pelos fregueses e meninas vendendo flores. Inocentes igual ao crepúsculo.
Outro sinal, mas dessa vez, é um paraplégico pedindo esmola. Atravesso a rua e estou em casa. Punks, metaleiros, roqueiros, maconheiros, gays, intelectuais, hippies, pobres, ricos. Subindo a rua, encontro o passado. Apesar dos piercings e tattoos a mais, as caras permanecem as mesmas, as risadas se intensificam e a fumaça sobe, enquanto a poeira é absorvida. A loucura dissolve e os sorrisos aparecem. Pronto, todos exercem seus papéis. Alguns lêem, fumam, bebem, beijam, outros riem, correm, dançam e deliram. Estamos mais sensíveis, pensativos e inebriados. Resolvo andar pelas ruas e assistir ao por do sol. Vejo pessoas andando correndo, escuto muitas buzinas e sinto o ar mais pesado.
Vejo tudo transformado.
A noite chega e aquela inocência das meninas que vendiam flores é apagada. Agora, elas não vendem mais as flores, elas é quem são vendidas. Alguns baleiros passam a vender outros tipos de balas e doces, alguns tomadores de conta de carros passam a tomar contas de plantinhas e o playboyzinho resolve dar uma graninha para um morador do morro.
Acho melhor voltar pro bar antes que eu me perca. No caminho, um homem alto, magro, com a cara tampada pela blusa começa a me seguir. Fico mais pálida do que já sou. Aperto o passo. Encontro meus amigos e dou aquela respirada de alívio! A mesa está cada vez maior, mais cheia, e os copos não param. Tudo está colorido e alegre. Até dou dinheiro para uma senhora que precisa pegar o ônibus para ir embora e ninguém se hesita em dar cigarro para um bêbado.
O tempo voa e algumas pessoas desaparecem. Vamos para a praça, pro Maranhão, passamos pela porta da Obra, Mary in Hell, voltamos para a praça e ficamos até o amanhecer. A fome acorda, então, vamos comer no Mc Donalds. Enquanto comemos, observo um cara vestido igual a um cafetão acompanhado de duas loiras gostosas, que não vacilam em abusar do decote e no comprimento da saia. Vejo-o entregando um bolo de dinheiro, em dólar, para cada uma, despedindo delas, com uma pegada, e saindo com seu carro pouco discreto. Isso me lembrou do rapaz que vi durante a madrugada. Ele estava andando pela rua deserta, quando, de repente, um carro preto apareceu, ele entrou nesse e desceu na última esquina. Quase me convenci de que eu era um figurante daqueles filmes de ação.


