terça-feira, 29 de julho de 2008

Acostumar

Abominável verbo acostumar, verbo chato, nem acento tem. De mar, nada também. Ele chega de fininho, é esse o problema. Preferiria que ele fosse sem vergonha, assanhado, pois assim seria fácil dar um fora nele. Por ser tímido e paciente, parasita-se aos poucos. É tão discreto que num piscar de olhos o dano já está feito. Sem sintomas acostumo-me com o acostumar, e pior, tenho que adaptar-me a ele. Não há como escapar. Vírus mutante, que se fortalece a cada segundo!

Ele é perigoso, tudo pode ficar cada vez pior, cada vez maior, cada vez mais, mais...mais ruim, que para mim tudo continua igual, essa rotina de ser infectada torna-se normal.

Habituada a esperar que os outros façam alguma coisa para “moi”, espero que descubram um antídoto capaz de eliminar esse vírus e, até lá, deixo o acostumar me governar.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Ressaca Moral

Não há nada pior que a ressaca moral, pois não há vômitos que tirem o peso da consciência e nem sais de frutas que diluam as besteiras, para não dizer as merdas que você nem lembra que fez. O Tylenol não cura a amnésia.

Depois dos erros vem a redenção, a vontade de não abrir os olhos, de não sair da cama e, principalmente, de nunca mais beber. Vontade de desistir de tudo, porque esquecer, só com o tempo, se for possível.

Encarar os outros é impensável e chorar é a solução. O desespero, a aflição e o arrependimento te dilaceram, te consomem. O dano já está feito, o “se” não existe, muito menos a máquina do tempo.

O que resta fazer é esperar um novo drink aparecer e beber até esquecer o que fez. E assim o ciclo se reinicia.

Todos

Todos com pressa
Todos correndo
Todos olhando e
Todos não vendo

Todos exaustos
Todos com fome
Todos cansados
Todos com sono

Todos trabalhando
Todos sem grana
Todos sonhando
Todos sufocados.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Délire Noir

Eu levei minha alma para passear
Em algum lugar em que pudesse flutuar
Era uma noite de luar e
A fumaça era tanta que substituía o ar

O drink de veneno eu bebia
E o céu caia em minha direção
E tudo estava bom
Nem mais o frio eu sentia
Nada mais me aborrecia

O comércio era eterno,
A diversidade era intensa e
As diferenças se combinavam
As culturas se misturavam

Os iguais se casavam e
A champanhe espumava
As balas se dissolviam
E os doces eram absorvidos

Entre riots e punk rocks
Meu pensamento girava
As idéias se encontravam

Um suspiro e eu já não estava
Nevava, mas a neve nunca
Alcançava o chão, que
Virava a parede, que
Virava a porta, que
Virava a cama,
que adormecia
a noite na qual
eu me
p
e
r
d
i
a
.