terça-feira, 29 de julho de 2008

Acostumar

Abominável verbo acostumar, verbo chato, nem acento tem. De mar, nada também. Ele chega de fininho, é esse o problema. Preferiria que ele fosse sem vergonha, assanhado, pois assim seria fácil dar um fora nele. Por ser tímido e paciente, parasita-se aos poucos. É tão discreto que num piscar de olhos o dano já está feito. Sem sintomas acostumo-me com o acostumar, e pior, tenho que adaptar-me a ele. Não há como escapar. Vírus mutante, que se fortalece a cada segundo!

Ele é perigoso, tudo pode ficar cada vez pior, cada vez maior, cada vez mais, mais...mais ruim, que para mim tudo continua igual, essa rotina de ser infectada torna-se normal.

Habituada a esperar que os outros façam alguma coisa para “moi”, espero que descubram um antídoto capaz de eliminar esse vírus e, até lá, deixo o acostumar me governar.

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