sábado, 30 de agosto de 2008

Branca de Neve











Impossível não notar sua presença, em todos os copos, pescoços e tocos de cigarros havia a marca de seus lábios vermelhos, que se destacavam naquela face etérea e no cabelo preto, que se camuflava na noite. Às vezes, seus olhos resolviam combinar com a cor do batom, mas era quase imperceptível, porque ela fugia das luzes. Quanto mais escuro, melhor. À noite há mais possibilidades, mais adrenalina, afinal, ela esconde quase todas as imperfeições, quase todos os crimes.

Ninguém melhor do que ela para se aventurar nas ruas escuras, nos becos abandonados e nos apartamentos comunitários. De tira-gosto, provava alguma casa noturna, soturna e, pelos raros feixes de luz, era possível vê-la, quase que em preto em branco, exceto por aqueles lábios, que exalavam o desejo. Impossível não notar as meias pretas, rasgadas, por sobre a pele quase albina. Mas era discreta e misteriosa e isso chamava atenção. Sempre com uma garrafa na mão, ela dançava ao seu ritmo, ao seu gosto e, liberava aquele etílico no ar, em todas as direções. Esfregava na parede, onde seu suor de Heineken, Bacardi, Vodka, e qualquer outro álcool disponível dissolviam o pó de cocaína que caía como neve na pista de dança.

De entrada, nada melhor que saciar as ruas tímidas e encobrí-las de fumaça e euforia. Nada melhor que sentar em um banco, se é que poderia ser considerado um banco, e contemplar a Lua e deixar o vento levar as madeixas coloridas.

Sem rumo, sem lucidez, nunca se lembra do prato principal. Quando retoma a alguma consciência, se é que ela tem alguma, já está no fim da sobremesa, extasiando-se com o que não se lembra o que, mas sente. Em pouco tempo, o cheiro de entorpecentes, de mofo e de pessoas desconhecidas a incomoda, então, ela e seu, ou sua companheiro (a) levantam, ainda cambaleando, e descem aquelas intermináveis escadas de madeira desgastada de um prédio qualquer, caindo aos pedaços.

Sem destino, caminham iluminados pelo crepúsculo em busca de uma casa, de um quarto, ou até mesmo de um colchão, onde possam descansar e amar até o próximo crepúsculo chegar.

sábado, 16 de agosto de 2008

Whisper
























A combinação é perfeita, as pinceladas são exatas e o tom é invejável. Os piercings compõem a melodia e a música flui docemente, sexualmente, naturalmente. O estilo é único e inconfundível. É impossível não reparar e invejável não gostar, por isso, quero tocar aquelas cores, quero aqueles desenhos e a alegria que contagia.

Quero tocar o violão encantado, sentir cada freqüência e descobrir o seu timbre, como se fosse a primeira e a última vez, o encontro e a despedida.

No meu sonho tudo está encaixado, pronto para ser realizado. Eu faço parte da composição e posso provar tudo. Vou do ré, mi, dó, ao ré, sol, sol. Nunca estou só.

De repente, o R.E.M desaparece e tudo se desfaz. O caminho talvez já fora traçado, mas sei que é na cidade dos anjos que vou comer os cup cakes, alcançar as estrelas e arranhar a pele da onça da língua de cobra. Aquele olhar vai me matar.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Mundinho

Jingle Bells, Jingle Bells,
foi o papai Noel
lá pro alto, lá pro alto
la no alto, pro céu!

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

As pessoas mudam

Doce ilusão acreditar que seremos a mesma pessoa pra sempre. Como Raul já dizia “Se hoje eu te odeio amanhã lhe tenho amor”, “Se hoje eu sou estrela amanhã já se apagou.” Por mais diferentes que sejamos, acabamos convergindo para um mesmo modo de vida, não importa se você é um roqueiro, funkeiro, maconheiro, religioso ou porteiro, pois procuramos sempre a felicidade e, por estarmos enquadrado, os caminhos para encontrá-la são diferentes, mas o destino é o mesmo. E assim o ciclo de vida se completa, novamente.

O porra louca torna-se experiente, o certinho torna-se ousado, e o normal não existe. Quem desdenha compra e quem compra faz caridades. O religioso se liberta e o pecador se redime. Mudar é bom, mas se transformar completamente e em um piscar de olhos, é ruim. Desaponta as pessoas que sempre te veneravam, que a tinham como exemplo. O ser humano realmente é produto do meio. Nos adaptamos facilmente aos diversos estilos de vida, às diversas culturas e, muitas vezes, colocamos por terra todas as nossas ideologias, sonhos e críticas em função dessa adaptação, ou melhor, transformação.