sábado, 13 de dezembro de 2008

Sweet Page,

Oh Page, ainda não encontrei tempo para traduzir meus sentimentos e nem palavras corretas e exatas que te descrevessem.






















Sedução,
Uma revelação, um mistério, uma provocação.
Inocente, natural, Bettie.
Uma vida, uma página, Page.

Repleta de ousadia, segredos, pecados e remissões foi fechada e jamais decifrada. No fim da página cheia, quase branca, uma data: 11.12.2008, um horário 6:41 pm.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

A Visita

De repente escureceu. Tudo ficou negro. Trovões e relâmpagos me assustavam. Chovia forte e cada gota que descia era como uma facada em minhas têmporas. A janela se aproximava e eu achava que cairia. O sofá tinha lepra e ela me alcançava. Eu desesperava, gritava e me encolhia. Ouvi a companhia, mas não conseguia chegar à porta. Entre vassouradas e pancadas consegui chegar à cozinha, mas não havia café e a xícara desaparecia. Abria a geladeira e só tinha cerveja, cachaça e vodka em cima da mesa. Uma bandeja, copo com gelo e uísque. Abria a porta e a visita era eu.

O Violino Vermelho mostrava as minhas histórias, as minhas vidas, perdidas, incompreendidas, opostas e contraditórias. Eu me via, como também me sentia. Não entendia como era possível estar no inferno e no céu, simultaneamente, no punk e no clássico, no preto e no branco, no certo e no errado. Como podia ser forte e fraca, boa e ruim, romântica e cética.

De repente eu escutava o riff, no entanto não localizava a fonte. A guitarra aumentava e a música tocava. Ninguém mais captava a freqüência, nem a visita. Dessa vez estava tudo colorido, geométrico, curvilíneo. As cadeiras sorriam e os livros se abraçavam.

Eu tentava me desvendar, a visita. Qual era o seu meu segredo meu? Porque só eu a via e já não via os demais, meus amigos? Tentei dialogar, fazia perguntas e inexplicavelmente já sabia a resposta. Um cigarro para me acalmar. Uma tragada, relaxada. Ela era quem liberava a fumaça e o meu pulmão era o que contaminava.

De repente, levantou-se, estávamos sentadas face a face, aproximou-se, entrou em meu corpo e por alguns segundos fiquei inconsciente.

De repente, escutava risadas e enxergava meus amigos.
De repente, tive consciência.
De repente, me encontrei.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Suite nº 6

















Clube Social ou Social Clube. Primeira tacada. Bolas se colidindo e deixando os rastros pela mesa, que refletia a tonalidade da alegria, do arco-íris, dos homossexuais.

Através das linhas mágicas do Círculo de Viena era possível sentir todas as pulsações. Segunda tacada e a secretária alongou-se como um fluido, divergindo para a penumbra profunda. A cada nova tacada o ambiente se atualizava, outra vodka acabava e eu me dispersava. Uma natureza expansiva surgia em mim e não era possível controlá-la.

A nota estava aberta para a diástole, houve um breve I´m a Gipsy seguido por um longo distorcido derretido The Acid Queen, ambos inaudíveis para ouvidos convencionais, mas claros e exatos para quem tinha aprendido a interpretar os suspiros sintéticos.

Seis, Opus Mil e Doze em Ré Maior.

Cingida, a cinta liga rasgava, o deleite aproximava e voávamos e dançávamos o in-out. As Champagnes esvaziavam e os corpos brindavam. Sístole, diástole, contrações, ruídos, gemidos, dilatações...

De volta à partida, que estava decorada à los 50, iluminada pelo Blues e derretendo à Dali, eu via o Bang Bang!. Cabelos lançados, décadas laçadas, Mcdowell pintado, Marilyn Monroe planificada e Brad Pitt colado.

Sentindo-se bem no verão, Doçura, Doçura, eu não posso recusar. A vida é louca por todo o Universo existem pessoas sós esperando pelo quê? Pelo quê? Nada vai mudar meu mundo nem essa coisa que você faz. Os pássaros cantando para a luz que nunca se apaga. Londres chamando. Doçura, Nova York, 1993, quando eu voltar para o topo e falar da minha geração toda rosa vai ter tido espinho. É uma longa estrada para o lar, por isso não chore quando eu for, mulher Rock n Roll. Você sabe o meu nome, então não espere pelo arco-íris no escuro.

Última contração. Corpo refeito. Dilatação derradeira. Última tacada. Um minuto depois, joelho no chão, eu estava (des) acordada.

sábado, 15 de novembro de 2008

E a saga continua...

31 de Outubro, crepúsculo

Hora de acordar e aprontar para a festa. Não era necessário fantasia, pois minha pele já era pálida e o cabelo, negro. O batom vermelho disfarçava a fome e o blush, a morte.

Encontrei uns amigos e fomos, de ônibus, para nosso destino. Infelizmente o silêncio da noite não esconde as verdades. Sentei-me atrás de dois homens não simpáticos. Um deles levantou-se cambaleando, fedendo à álcool e fedendo à maconha e “pediu” um trocado, visto que acabara de sair da prisão e estava com fome. Infelizmente isso não era “Doces ou travessuras”. Fui obrigada a dar algumas moedas, que mais tarde comprariam O doce, assim como os outros passageiros.

Não demorou muito e chegamos ao local desejado: Drácuba. Subimos uma escada bem inclinada e prosseguimos até a última porta do corredor. A janela emitia uma luz vermelha e luzes de velas.

Uma carranca fumando um charuto cubano, envolvida entre teias e iluminadas pelas tochas na parede, nos recebeu, juntamente com os morcegos do corredor da casa.

Ao luar, vampiros e zumbis se refrescavam. Japonesas e Joaninhas conversavam. Transexuais dançavam. Minhas pupilas dilatavam, minha face corava. Era a sangria sendo absorvida. Meus sentidos se aguçavam e o frenesi era alcançado. Meus olhos sangravam.

À medida que dançava com Drácula, o cenário se transformava. Dançamos na Transilvânia e na Polônia. Em Paris e New Orleans. No Egito e no infinito. Unimos nossos sangues, nossos corpos e nossa solidão. Nos amamos mesmo sem coração.

Acordei espremida no caixão e o castelo queimava.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Porcos Malhados, Hienas Macabras

Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem”

É impressionante como vários indivíduos tratam as pessoas como objetos descartáveis, como seres postiços. É impressionante como vários indivíduos têm o dom de distorcer a realidade e adequá-la à sua necessidade, mesmo inconscientemente. É impressionante o poder que vários indivíduos possuem de dêscobrir as estrias alheias e pô-las à mostra para aproveitar da vulnerabilidade para criticar, humilhar e apunhalar as pessoas.

É impressionante o prazer que vários indivíduos têm de colocar alguns em Xeque-mate. É impressionante como vários indivíduos sugam tudo o que você tem e depois te abandonam aos Urubus. É impressionante como vários indivíduos não mudam, não se desculpam, não sabem relevar e sim culpar e transferir a ferida.

É impressionante como vários indivíduos não se curam. É impressionante a força do poder manipulador dos Porcos Macabros. É impressionante a necessidade de vingança das Hienas Malhadas. É impressionante as suas risadas macabras...

Ainda assim é possível sobreviver, afinal, são nessas horas que descobrimos quem são os nossos Amigos, quem está ao nosso lado. Aprender a conviver com as pessoas é um desafio jamais vencido por muitos, porém os vencedores entendem que não se deve perder a cabeça com um porco, pois ele não é capaz de dialogar, raciocinar e abrir a mente. Não se deve dar ouvidos às hienas, visto que elas escutam demais e podem trocar o veneno, a cura e a carniça.

Enfim, as palavras matam, dilaceram, por isso tome cuidado ao pronunciá-las.
Enfim, os Ouvidos Olheiros estão à espreita, então não acredite em tudo o que se ouve, pois a realidade é uma ficção e cada mente possui um contexto diferente.

2008.11.10

Outros sobre o assunto:
sociedade-secreta-dos-aliengenas.html
o-muro-as-cartolas-e-o-social.html
mgica-exploso-da-cartola.html

Houve uma vez...

Tudo parecia perfeito, a união fazia a força e não havia nada melhor do estarmos juntos, porém aconteceu muito rápido, que só me resta a saudade. Compartilhamos churrascos, viagens, choros, felicidades, agonias, segredos e nos tornamos uma família.

O que era belo se fragmentou, virou cacos, sorrisos falsos e olhares hipócritas. Brigas, discussões, mágoas. A ID venceu o Super-Ego. O Olhar superficial acha que continuamos os mesmos, embora não tenhamos mudado, deixamos de existir. Fomos incapazes de assumir os erros e pedir desculpas, o orgulho foi mais forte.

As falsas máscaras permanecem, assim como a incapacidade de dizer “eu te odeio” olhando no olho. Daqui a pouco muitos perderão a orelha. As diferenças foram aprisionadas e os pedidos de desculpas, guardados. Ninguém é capaz de dialogar e relevar. Enquanto isso, procuro o meu lugar.

Se em cima do muro é um lugar que não existe, onde estou?

Fragmentei-me em vários cacos?


2008.09.19

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Errada

Meu ouvido começou a fechar e o cenário a rodar. Eu estava em um plano espacial e temporal diferente dos demais. Já não sabia se o que via era realidade ou fantasia.

Levantei-me, olhei o espelho, mas não consegui enxergar a imagem, então fui ao banheiro enxaguar meus olhos e o Alex me olhava. Se o tempo passava eu não sei. Algumas vezes ele acelerava, outras, retardava e outras não o havia. Estava tudo congelado, hipnotizado, tudo num quadro, como DeLarge.

As risadas me engoliam e eu andava pelo apartamento, andava fisicamente e/ou psicologicamente. O Jack virava um fantoche e eu o acordava toda hora que abria a mochila.

De repente, a cara da Ísis ficou pendurada ao lado de seu pescoço e ela sorria, de repente eram 15:44 e 14:27, de repente tudo rodava e o mundo passava em um segundo, minha vida chegou em flashes e eu não conseguia alcançá-la, fiquei para trás, presa naquele plano.

Sentei-me no sofá e assisti a sala derretendo, desmoronando e o Alex observando, intacto, atemporal, aespacial.

Batimento acelerado, respiração eufórica, coração vidrado. Estava irritada e preocupada. Minha boca secava, a bochecha queimava e meu olho encabulava. A veia quase estourava. Olho as horas mais uma vez e ligo o despertador.

Vou à cozinha. Ao quarto e ao teto. Podia escutar o barulho do combustível de cada carro queimando, cada pessoa conversando. Escutava vozes. Escutava plantas. Escutava cervejas.

E o desespero me consolava e me piorava. Ele me dominava;

O despertador tocou, mas eu não acordei...
O ônibus passou e eu não voltei...
A Turquesa chegou e a Rio Negro me salvou...
Na Divina eu estou.

domingo, 9 de novembro de 2008

Lições de um Perpétuo

Nunca me conformei com a morte, pois sempre gostei de viver e de imaginar o futuro. Tinha medo dela porque já levara minha mãe e minha irmã. Não queria que me vencesse, então vendi minha alma.

No início foi bom, visto que não envelhecia, não me preocupava com o tempo, saía com várias mulheres só por curtição. Assistia a todos os filmes em cartaz, a todas as peças de teatro, shows e acompanhava a modernização da sociedade. A memória eterna tornava-me um homem culto, meu sexto sentido permitia que tocasse qualquer instrumento, vencesse qualquer jogo e meu olho reluzente seduzia a todos.

Um século depois, conheci a minha amada. Era uma pintora underground de Los Angeles, tinha madeixas negras, olhos azuis, curvas perfeitas, bronzeado ideal e seios fartos.

Foi hipnotizado por uma de suas pinturas que parecia a eternidade. Iniciei um diálogo e logo estávamos à vontade, conversando sobre a arte. Aproveitei meus conhecimentos acumulados e a impressionei. Consegui um almoço. Um jantar. Uma festa. Uma transa.

Apaixonamos-nos muito rápido e sentíamos que seria para sempre. Em um ano já morávamos juntos...

Como era possível amá-la daquela maneira? Estava enfeitiçado por seus gestos triviais. Amava-a pelo jeito como arrumava o sutiã, empilhava as revistas, tirava os óculos. Amava-a pelas covinhas de seu sorriso e pela cicatriz em sua barriga. Ela era perfeita.

Apesar da linha que separa o amor da fantasia ser bem fina, o que eu sentia por ela era amor. O amor de quem espera 100 anos pela inefável mulher. Seu corpo e sua alma estavam expostos e por isso eu a amava.

Criamos a nossa própria linguagem, que continha a história de nossa relação, portanto somente NÓS podíamos decifrá-la. Graças a Amber, adquiri um caráter, algo que um homem não adquire na solidão, por mais experiências e conhecimento que possua.

Tivemos nossas crises. Derrubamos muitas lágrimas, exaurimos excessivas palavras dispensáveis. Aprisionamos a raiva, o ciúme terrorista e depois vomitamos tudo. Machucamos-nos. Curamo-nos.

Como Amber não era para sempre, fui condenado à solidão perpétua...

500 anos se passaram desde que perdi a felicidade. Esse é o problema do amor. Há um grande risco de sermos felizes. E um amor como aquele só se vive uma vez.

O que me resta é habitar meu passado e lembrar como era bom entrar naquele corpo, como era bom acordar com aqueles olhos azuis, como era bom abraçá-la, protegê-la, amá-la.

Como o seu amor era bom!, como sua voz era a melodia de meus sonhos. Ela me completava.

Éramos nós. Agora, sou EU...

... Não se deve temer a morte e nem o medo, pois ele é um sentimento, e sentimentos não matam.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Metanfetamina

Para os mais íntimos, sou a MET. Cristal, speed e ice são outros apelidos. Você pode me ingerir, inalar, aspirar e injetar. Sou versátil. Sou a sua coragem e a euforia. Dopamina, seratonina. Posso matar a sua fome, o seu sono, a sua vergonha. Posso ser fabricada em sua própria casa e proporciono um prazer irresistível, diferente de todos que já experimentou, sou mais potente, eficiente e inconsciente.

Não me vendo por um preço elevado, sou de fácil acesso e fácil vício. Efeito prolongado. Gosto de te dominar, te ferir e fazer você sorrir. Em pouco tempo já não consegue viver sem mim. Não sairei da sua cabeça, todos os dias me desejará.

Estou em seu corpo, te consumindo, viciando e te levando para a autodestruição. Mas você não se vê. É um morto-vivo, sem dentes, olhos caídos, feridos, feridas, sem cérebro, sem pulmão, infectado. METirrigado.















































As metanfetaminas são substâncias relacionadas quimicamente com as anfetaminas e são um potente estimulante que afeta dramaticamente o sistema nervoso central. A droga é facilmente sintetizada em laboratórios clandestinos, sendo – conjuntamente com o ecstasy – uma das mais populares drogas sintéticas.

Uma de suas principais características, bastante comentadas pelos usuários, é a longa duração de seus efeitos. Uma única dose de metanfetamina pode levar o consumidor a ficar em estado de alerta e intensa agitação por 48 ou 72 horas seguidas. O que a faz ser conhecida – injustamente - como a droga dos internautas. Essa fama vêm, aparentemente, de casos isolados, mas com grande repercussão, de jovens que chegavam a jogar videogames em rede (Lan Houses) até 48 horas seguidas, em países orientais, com resultados inclusive fatais. Na nossa avaliação estes fatos estão mais relacionados a popularidade, nesses países, tanto das metanfetaminas como das Lan Houses, não havendo nenhuma condição particular das atividades dos jogadores com a facilitação do consumo da droga.

Os efeitos das metanfetaminas no cérebro estão relacionados com o aumento abrupto da produção da dopamina, neurotransmissor importante no delicado mecanismo de recompensa cerebral.

Milhões de anos de evolução e seleção naturas proveram nosso cérebro de uma complexa teia neurológica de recompensas para situações que favoráveis a nossa existência. Esse mecanismo regula nosso humor, emoções, excitações, estados de euforia e satisfação. A ingestão regular de euforizantes químicos, notadamente a cocaína e anfetamínicos tais como ecstasy e metanfetaminas enviam um sinal falso para o cérebro de que o consumo desta droga e as situações envolvidas são imensamente benéficas em detrimento daquelas realmente importantes para nossa evolução.

Os efeitos neuroquímicos destes estimulantes no cérebro são confundidos com os mecanismos de recompensa para situações desejadas. Um perigoso atalho que dispensa as situações normalmente requeridas para o disparo desse mecanismo, como sexo, realizações profissionais, amor, companhia de amigos e familiares, inter-relação pessoal, etc.. O resultado neuroquímico mais evidente em usuários é justamente o desequilíbrio deste delicado mecanismo, o que acaba por afastar o usuário das atividades normalmente prazerosas levando-o a buscar a recompensa química nos estimulantes.

É bastante normal usuários deixarem, gradativamente, de se sentirem confortáveis e estimulados para atividades cotidianas. Ao mesmo tempo podem experimentar um euforia quando deparados com assuntos, fatos ou lembranças de episódios de consumo da droga. Isso ocorre por que, quimicamente, seu cérebro passa a buscar mais os estímulos mais fortes e as situações nas quais ele foi “recompensado” em depreciação as situações onde ele normalmente deveria sentir este estímulo.

sábado, 20 de setembro de 2008

Sexo Drogas e Rock n Roll














Sexo drogas e rock n roll vêem acompanhados de uma carga negativa imensa, é algo pejorativo e nada digno. Não pertence a Deus e não pode estar contido na sociedade. Mas está. E não faz mal algum para quem sabe usá-los, pelo contrário, em quantidades certas faz muito bem à vida, ao espírito. É possível curtir o Sexo e não ser uma puta, escutar o Rock e não ser um malandro, usar as Drogas e não ser viciado, e ser responsável.

O que faz mal não é a trilogia e sim o Excesso. Tudo em excesso é prejudicial. Só porque existem viciados, as drogas têm que ser ilegais? Porque a comida não, já que a obesidade é o maior problema de saúde da atualidade e atinge indivíduos de todas as classes sociais?

Falta de respeito, preconceito, hipocrisia e corrupção é que deveriam ser condenados. Todos deveriam ter pudor deles e não do Sexo. “Informação sobre o sexo protege o sexo”. Porque tanto caos e vergonha ao pronunciar (ou sussurrar) essas quatro letras? Sexo é bom (excelente!) e necessário. É instintivo e responsável pela diversidade e proliferação da vida e pelo prazer (recomendo).

O Rock, menino revoltado e cheio de raiva, porém não é irresponsável. Visual agressivo (ta, algumas vezes assustador), boca suja e uma mente incrível. Ele é o espelho da sociedade e mais, não só mostra para as pessoas quem elas são como também o que fazem e as conseqüências terríveis de seus atos, por isso, é rejeitado. As pessoas provaram delas mesmas e não gostaram. Colocaram a culpa no roque. Pronto, resolvido o problema. Ele é o culpado por sua filha fumar, pelo seu filho ser homossexual, por seu neto ser drogado, por sua sobrinha ter AIDS.

Uma vez no rock, para sempre.
Uma vez no sexo, toda hora.
Uma vez nas drogas, ...

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

O Gosto do Azedo

Para o sangue, sou o veneno
Eu mato, eu como, eu dreno






















Eu sou o livre-arbítrio
Sem causa, com efeito
























Sou a dor da tortura
Uma nova ditadura
Terminal da loucura

sábado, 30 de agosto de 2008

Branca de Neve











Impossível não notar sua presença, em todos os copos, pescoços e tocos de cigarros havia a marca de seus lábios vermelhos, que se destacavam naquela face etérea e no cabelo preto, que se camuflava na noite. Às vezes, seus olhos resolviam combinar com a cor do batom, mas era quase imperceptível, porque ela fugia das luzes. Quanto mais escuro, melhor. À noite há mais possibilidades, mais adrenalina, afinal, ela esconde quase todas as imperfeições, quase todos os crimes.

Ninguém melhor do que ela para se aventurar nas ruas escuras, nos becos abandonados e nos apartamentos comunitários. De tira-gosto, provava alguma casa noturna, soturna e, pelos raros feixes de luz, era possível vê-la, quase que em preto em branco, exceto por aqueles lábios, que exalavam o desejo. Impossível não notar as meias pretas, rasgadas, por sobre a pele quase albina. Mas era discreta e misteriosa e isso chamava atenção. Sempre com uma garrafa na mão, ela dançava ao seu ritmo, ao seu gosto e, liberava aquele etílico no ar, em todas as direções. Esfregava na parede, onde seu suor de Heineken, Bacardi, Vodka, e qualquer outro álcool disponível dissolviam o pó de cocaína que caía como neve na pista de dança.

De entrada, nada melhor que saciar as ruas tímidas e encobrí-las de fumaça e euforia. Nada melhor que sentar em um banco, se é que poderia ser considerado um banco, e contemplar a Lua e deixar o vento levar as madeixas coloridas.

Sem rumo, sem lucidez, nunca se lembra do prato principal. Quando retoma a alguma consciência, se é que ela tem alguma, já está no fim da sobremesa, extasiando-se com o que não se lembra o que, mas sente. Em pouco tempo, o cheiro de entorpecentes, de mofo e de pessoas desconhecidas a incomoda, então, ela e seu, ou sua companheiro (a) levantam, ainda cambaleando, e descem aquelas intermináveis escadas de madeira desgastada de um prédio qualquer, caindo aos pedaços.

Sem destino, caminham iluminados pelo crepúsculo em busca de uma casa, de um quarto, ou até mesmo de um colchão, onde possam descansar e amar até o próximo crepúsculo chegar.

sábado, 16 de agosto de 2008

Whisper
























A combinação é perfeita, as pinceladas são exatas e o tom é invejável. Os piercings compõem a melodia e a música flui docemente, sexualmente, naturalmente. O estilo é único e inconfundível. É impossível não reparar e invejável não gostar, por isso, quero tocar aquelas cores, quero aqueles desenhos e a alegria que contagia.

Quero tocar o violão encantado, sentir cada freqüência e descobrir o seu timbre, como se fosse a primeira e a última vez, o encontro e a despedida.

No meu sonho tudo está encaixado, pronto para ser realizado. Eu faço parte da composição e posso provar tudo. Vou do ré, mi, dó, ao ré, sol, sol. Nunca estou só.

De repente, o R.E.M desaparece e tudo se desfaz. O caminho talvez já fora traçado, mas sei que é na cidade dos anjos que vou comer os cup cakes, alcançar as estrelas e arranhar a pele da onça da língua de cobra. Aquele olhar vai me matar.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Mundinho

Jingle Bells, Jingle Bells,
foi o papai Noel
lá pro alto, lá pro alto
la no alto, pro céu!

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

As pessoas mudam

Doce ilusão acreditar que seremos a mesma pessoa pra sempre. Como Raul já dizia “Se hoje eu te odeio amanhã lhe tenho amor”, “Se hoje eu sou estrela amanhã já se apagou.” Por mais diferentes que sejamos, acabamos convergindo para um mesmo modo de vida, não importa se você é um roqueiro, funkeiro, maconheiro, religioso ou porteiro, pois procuramos sempre a felicidade e, por estarmos enquadrado, os caminhos para encontrá-la são diferentes, mas o destino é o mesmo. E assim o ciclo de vida se completa, novamente.

O porra louca torna-se experiente, o certinho torna-se ousado, e o normal não existe. Quem desdenha compra e quem compra faz caridades. O religioso se liberta e o pecador se redime. Mudar é bom, mas se transformar completamente e em um piscar de olhos, é ruim. Desaponta as pessoas que sempre te veneravam, que a tinham como exemplo. O ser humano realmente é produto do meio. Nos adaptamos facilmente aos diversos estilos de vida, às diversas culturas e, muitas vezes, colocamos por terra todas as nossas ideologias, sonhos e críticas em função dessa adaptação, ou melhor, transformação.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Acostumar

Abominável verbo acostumar, verbo chato, nem acento tem. De mar, nada também. Ele chega de fininho, é esse o problema. Preferiria que ele fosse sem vergonha, assanhado, pois assim seria fácil dar um fora nele. Por ser tímido e paciente, parasita-se aos poucos. É tão discreto que num piscar de olhos o dano já está feito. Sem sintomas acostumo-me com o acostumar, e pior, tenho que adaptar-me a ele. Não há como escapar. Vírus mutante, que se fortalece a cada segundo!

Ele é perigoso, tudo pode ficar cada vez pior, cada vez maior, cada vez mais, mais...mais ruim, que para mim tudo continua igual, essa rotina de ser infectada torna-se normal.

Habituada a esperar que os outros façam alguma coisa para “moi”, espero que descubram um antídoto capaz de eliminar esse vírus e, até lá, deixo o acostumar me governar.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Ressaca Moral

Não há nada pior que a ressaca moral, pois não há vômitos que tirem o peso da consciência e nem sais de frutas que diluam as besteiras, para não dizer as merdas que você nem lembra que fez. O Tylenol não cura a amnésia.

Depois dos erros vem a redenção, a vontade de não abrir os olhos, de não sair da cama e, principalmente, de nunca mais beber. Vontade de desistir de tudo, porque esquecer, só com o tempo, se for possível.

Encarar os outros é impensável e chorar é a solução. O desespero, a aflição e o arrependimento te dilaceram, te consomem. O dano já está feito, o “se” não existe, muito menos a máquina do tempo.

O que resta fazer é esperar um novo drink aparecer e beber até esquecer o que fez. E assim o ciclo se reinicia.

Todos

Todos com pressa
Todos correndo
Todos olhando e
Todos não vendo

Todos exaustos
Todos com fome
Todos cansados
Todos com sono

Todos trabalhando
Todos sem grana
Todos sonhando
Todos sufocados.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Délire Noir

Eu levei minha alma para passear
Em algum lugar em que pudesse flutuar
Era uma noite de luar e
A fumaça era tanta que substituía o ar

O drink de veneno eu bebia
E o céu caia em minha direção
E tudo estava bom
Nem mais o frio eu sentia
Nada mais me aborrecia

O comércio era eterno,
A diversidade era intensa e
As diferenças se combinavam
As culturas se misturavam

Os iguais se casavam e
A champanhe espumava
As balas se dissolviam
E os doces eram absorvidos

Entre riots e punk rocks
Meu pensamento girava
As idéias se encontravam

Um suspiro e eu já não estava
Nevava, mas a neve nunca
Alcançava o chão, que
Virava a parede, que
Virava a porta, que
Virava a cama,
que adormecia
a noite na qual
eu me
p
e
r
d
i
a
.

terça-feira, 24 de junho de 2008

CASA DO VINHO

Ela era encorpada, tinha uma voz exorbitante e um ritmo excepcional, além do visual exótico, é claro. Já estava envelhecida o suficiente para enlevar quem a bebesse. Era vinho tinto de primeira! Peça rara! Então, todos provaram dela, sugaram-na até a última gota e queriam mais, a primeira safra fora só uma amostra, fora a revelação.

A segunda, veio melhor ainda, pois novas substâncias foram adicionadas e mais extasiante estava. Ela percorreu o mundo inteiro e não tinha descanso, afinal, todos a queriam. Era algo novo no mercado, que ninguém via há anos. Muitos se tornaram viciados nela, e ela, dependente. Mas não do sucesso, não dos consumidores, e sim de certos ingredientes que a fizeram perder o sabor, o corpo, a voz. A rolha secou e o vermelho uva tornou-se ralo, claro, vinagre.

Inconsciente, viciada, velha, acabada, magra, morta. Viva.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Prova o quê?

Tanta pressão, desespero, sermão por causa de uma prova, que não mede inteligência, muito menos o caráter. Mede o nível de treinamento. Quanto mais elevado, mais eficiente. Quatorze anos só para ela. Quatorze anos aprendendo fórmulas, esquemas, decorando, memorizando, enquanto são poucas as coisas levadas para a vida.

As escolas preocupam-se tanto com o nível de aprovação, que os alunos saem delas sem direção. Não sabem como ser um cidadão, como respeitar os outros. Não sabem pensar e muito menos questionar, afinal, não foram treinados para isso. O resultado já apareceu, basta abrir o jornal, ligar a TV, ou, simplesmente, olhar a rua.

Vemos pessoas robotizadas, egocêntricas, hipócritas, cínicas e inconseqüentes, que ainda precisam dos pais para resolver seus problemas, porém, têm belos carros, sorriso irresistível, maquiagem impecável, amigos da moda e roupas de grife. Uns anjinhos não?

O oposto dos Punks, povo esquisito, sujo, que vestem roupas rasgadas, velhas e andam com aqueles hippies e roqueiros, tatuados, furados e maconheiros. Que vida miserável, eles se preocupam com os outros!!! Tadinhos...

Será? Já se foi o tempo em que o sexo e as drogas eram sinônimos de Rock n Roll. Já se foi o tempo em que acreditávamos na paz e no amor e que nossas ideologias seriam concretizadas, entretanto, continua o tempo em que lutamos por isso.

São vocês os estranhos! Só pensam no próprio umbigo. Não lêem, não ouvem, não têm opinião e não procuram conhecer o diferente. Bebemos, fumamos e fodemos, mas nos preocupamos em ser, em ter atitude. Somos responsáveis, trabalhamos o mês inteiro para sustentar o governo, um tanto de político corrupto e depois, nós somos os errados, os foras-da lei e os mal visto.

Quem tá no Rock é para se foder, e se fode mesmo, no entanto, a si próprio. Não fodemos os outros como fazem aqueles caras que adoram um pizza e um circo.

Pense um pouco.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Ó meu Brasiiill!

E tem gente que acha que já viu de tudo...

Na semana nostálgica, nada melhor que relembrar os velhos e bons tempos, ou melhor, tentar. Bar fudido, cerveja cara, amigos, e apenas um banheiro. Savassi. Com tanto lugar bom e diferente para ir, preferimos ficar no Cantinho dos Amigos, vulgo, Bar da Velha. Acho que o lugar faz jus à viagem podre para chegar a ele. Trinta e sete minutos no ponto de ônibus, mais meia hora dentro dele e mais dez minutos a pé. É o encontro da Fernandes Tourinho com a Paraná.

Antes de chegar ao destino, faço uma parada no Carrefour e compro uma caipiroska ou Orloff e um Black, ou LA. Sinal fechado, Hippie fazendo malabarismo, menino vendendo balas e eu esperando. Passando pelo MC Donalds, vejo crianças comendo os restos deixados pelos fregueses e meninas vendendo flores. Inocentes igual ao crepúsculo.

Outro sinal, mas dessa vez, é um paraplégico pedindo esmola. Atravesso a rua e estou em casa. Punks, metaleiros, roqueiros, maconheiros, gays, intelectuais, hippies, pobres, ricos. Subindo a rua, encontro o passado. Apesar dos piercings e tattoos a mais, as caras permanecem as mesmas, as risadas se intensificam e a fumaça sobe, enquanto a poeira é absorvida. A loucura dissolve e os sorrisos aparecem. Pronto, todos exercem seus papéis. Alguns lêem, fumam, bebem, beijam, outros riem, correm, dançam e deliram. Estamos mais sensíveis, pensativos e inebriados. Resolvo andar pelas ruas e assistir ao por do sol. Vejo pessoas andando correndo, escuto muitas buzinas e sinto o ar mais pesado.

Vejo tudo transformado.

A noite chega e aquela inocência das meninas que vendiam flores é apagada. Agora, elas não vendem mais as flores, elas é quem são vendidas. Alguns baleiros passam a vender outros tipos de balas e doces, alguns tomadores de conta de carros passam a tomar contas de plantinhas e o playboyzinho resolve dar uma graninha para um morador do morro.

Acho melhor voltar pro bar antes que eu me perca. No caminho, um homem alto, magro, com a cara tampada pela blusa começa a me seguir. Fico mais pálida do que já sou. Aperto o passo. Encontro meus amigos e dou aquela respirada de alívio! A mesa está cada vez maior, mais cheia, e os copos não param. Tudo está colorido e alegre. Até dou dinheiro para uma senhora que precisa pegar o ônibus para ir embora e ninguém se hesita em dar cigarro para um bêbado.

O tempo voa e algumas pessoas desaparecem. Vamos para a praça, pro Maranhão, passamos pela porta da Obra, Mary in Hell, voltamos para a praça e ficamos até o amanhecer. A fome acorda, então, vamos comer no Mc Donalds. Enquanto comemos, observo um cara vestido igual a um cafetão acompanhado de duas loiras gostosas, que não vacilam em abusar do decote e no comprimento da saia. Vejo-o entregando um bolo de dinheiro, em dólar, para cada uma, despedindo delas, com uma pegada, e saindo com seu carro pouco discreto. Isso me lembrou do rapaz que vi durante a madrugada. Ele estava andando pela rua deserta, quando, de repente, um carro preto apareceu, ele entrou nesse e desceu na última esquina. Quase me convenci de que eu era um figurante daqueles filmes de ação.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Ain´t no other

Aconteceu. Foi de repente, inusitado, ela não conseguia evitá-lo. “Não é possível”, pensava a mulher. “O que eu faço agora?”. Não compreendia ao certo o que era. Ele inebriava-a, fazia-a feliz e deixava-a confusa. Fazia seu coração disparar, bater cada vez mais forte toda vez que a via. Seu rosto corava e sua respiração tornava-se ofegante. “Será?”. “O que os outros vão pensar?”. Ele deixava-a apavorada, desnorteada e era contra o sistema. Era proibido e secreto.

Só a mulher sabia, só ela sentia, mas ainda assim, não acreditava. Gostava de estar com ela e observá-la. Aos pouco o aceitou e aprendeu a conviver com ele, mas não sabia se ela fizera o mesmo, se o coração dela também disparava e se ela o queria. Aquele sentimento era gostoso, independente do sexo, apenas amor.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Teatro de Vampiros

Eu te contarei uma história de como um porto-riquenho me roubou o coração. Era bom moço com grandes e profundos olhos marrons, um bailarino. Juntos nos perdemos no ritmo do amor, nem sei como começou.

Nos conhecemos em um circo em Veneza, atrás do palco, iluminado pelo fogo reluzente. Seu olhar caliente me hipnotizou e por minha beleza ele se fascinou. Saímos para ver o luar e naquela noite ele me fez apaixonar. Nunca tinha sentido nada assim, tão profundo, tão secreto, tão proibido.

Pude provar da liberdade, pude provar da morte e acordar faminta pelo sangue cálido. Como meu mestre ele cortou seus pulsos, onde pude me saciar. Estávamos unidos em um só pulsar, capaz de estourar nossas artérias e incendiar nossos corpos.

Nos tornamos amantes das trevas, sanguinários apaixonados e por isso fomos condenados a vida eterna. Estivemos nos sete mares, mas foi em Paris que vivemos milhares de anos. Éramos seduzidos pelo teatro e inebriados pelo espetáculo.

O tempo se passou e com ele nosso amor se acabou. Nunca mais eu volto a amar dessa maneira. Talvez nunca a faça. Essa foi a história do meu último amor.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Here I Go Again On My Own

O pulmão fica denso, a respiração escurece, os olhos enchem e as lágrimas caem. O melhor remédio, por ser único, é o tempo. Enquanto ele não chega, não passa, quase perco as esperanças. Penso em desistir. Acho que não vou conseguir. É quase impossível, que nem forças tenho para recomeçar.

Só queria conseguir, alcançar o esperado e melhorar. E isso só depende de mim e, principalmente, de meu esforço. Confesso que ultimamente eu não tenho me esforçado muito, mas para isso, fiz o possível, e fracassei. Tentei diversos caminhos, exceto um, o mais chato, o que menos pensei que me ajudaria e, no entanto, posso estar errada. Espero que ele seja a solução, senão, tentarei, tentarei, porque tenho que conseguir. Infelizmente, ou ainda bem, não existi a opção “desistir”.
"Goin' down the only road I've ever known"

quarta-feira, 14 de maio de 2008

M.L.

















Loira Rebelde
Loira Sedutora
Loira Inocente
Loira Dominadora
Loira Elegante
Loira Inovadora
Loira Provocante
Loira Comportada
Loira Punk
Loira Abandonada
Loira Sucesso
Loira Mudada
Loira a La Monroe
Loira Dama
Loira Puta
Loira Mãe

Morena Selvagem
Morena Madura
Morena Milionária
Morena Secreta
Morena Humanitária
Morena Libertadora
Morena Misteriosa

Loira Pop
Morena Rock
Loira Inesquecível
Morena Insubstituível

Sexo, Dança
Dinheiro, Arte
Amor, Interesse

Loira, Morena
Duas esmeraldas separadas
Um rubi rachado, ambos em fundo branco

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Bang - Bang!

Bang bang. He shot me down
Bang bang. I hit the ground
Bang bang. That awful sound
Bang bang. My baby shot me down



Em uma quinta-feira fria, ensolarada e sem a pressão de ter que estudar para as provas de sexta, não há nada melhor que almoçar aquela comida, assistir àquele documentário sobre peixes abissais sem se preocupar em resistir ao sono e, cochilar no sofá, é claro.

Ao acordar com a trilha sonora um pouco mais alta, resolvo tirar fotos e brincar com os cachorros enquanto espero o beija-flor aparecer para clicá-lo. A tarde está calma, os passarinhos cantam e o céu está limpo, sem nuvens e sem rastros de aviões. O sol brilha mais e as cores estão mais intensas. Não sei se é porque estou feliz, talvez mais sensível, mas o dia exala alegria.

Por um tempo, acho que ainda estou sonhando, até que escuto a companhia tocar. Pronto. A morte bate à minha porta. O dia não exala mais alegria, e sim sofrimento, tristeza, infelicidade. Escuto a voz de uma velhinha implorando por dinheiro, humilhando-se por qualquer quantia. Enquanto me explica que sua casa caiu, que seu marido está doente, precisa de ajuda e que... Já não consigo mais escutar, os cachorros começam a latir freneticamente e a voz da senhora, que já era baixa, desaparece por completo. Tudo que eu consigo dizer é que não posso ajudá-la. Perco a voz, meus olhos ficam apertados e meu coração chora. Chego à janela e, através dos buraquinhos do portão da casa, consigo ver, ainda que precariamente, a mulher. Sinto uma vontade tremenda de abrir a porta e deixá-la entrar, de lhe entregar uma nota de R$50,00 e deixá-la descansar. Ao mesmo tempo, penso nas possibilidades de ser um golpe, uma armação, então, fico confusa, e começo a pensar nesse mundo estranho em que vivemos.

Não podemos simplesmente ajudar a alguém, parar na rua e dar comida a uma criança desnutrida, comprar um remédio para um idoso que pede ajuda na porta de nossa casa, dar carona a um estudante, deixar o vidro do carro aberto ao pararmos em um sinal, andar a pé sem medo, sem ligar a visão 360 graus. Somos obrigados a enjaular nosso próprio lar, aumentar o tamanho do muro, colocar cerca elétrica, contratar vigilantes 24 horas, conferir todas as noites se as portas estão bem trancadas, se as janelas estão fechadas e dormir com um ouvido acordado.

Meu dia foi por terra abaixo, só me resta escrever e desabafar meus sentimentos. Abro o jornal, e mais tragédias, ligo a TV, mais conflitos e, o caso da Isabella continua na mídia. A cada dia, divulgam mais a crueldade e frieza do casal Nardoni, mas não é isso que mais me choca, e sim, saber que casos como esse existem aos milhares, e nem sabemos. Em uma sociedade vil, gananciosa, desigual e corrupta, é difícil ter esperança e crer na bondade, mas ainda assim acredito em uma coisa chamada amor.