
Para os mais íntimos, sou a MET.
Cristal, speed e
ice são outros apelidos. Você pode me ingerir, inalar, aspirar e injetar. Sou versátil. Sou a sua coragem e a euforia. Dopamina, seratonina. Posso matar a sua fome, o seu sono, a sua vergonha. Posso ser fabricada em sua própria casa e proporciono um prazer irresistível, diferente de todos que já experimentou, sou mais potente, eficiente e inconsciente.
Não me vendo por um preço elevado, sou de fácil acesso e fácil vício. Efeito prolongado. Gosto de te dominar, te ferir e fazer você sorrir. Em pouco tempo já não consegue viver sem mim. Não sairei da sua cabeça, todos os dias me desejará.
Estou em seu corpo, te consumindo, viciando e te levando para a autodestruição. Mas você não se vê. É um morto-vivo, sem dentes, olhos caídos, feridos, feridas, sem cérebro, sem pulmão, infectado. METirrigado.


As metanfetaminas são substâncias relacionadas quimicamente com as anfetaminas e são um potente estimulante que afeta dramaticamente o sistema nervoso central. A droga é facilmente sintetizada em laboratórios clandestinos, sendo – conjuntamente com o ecstasy – uma das mais populares drogas sintéticas.
Uma de suas principais características, bastante comentadas pelos usuários, é a longa duração de seus efeitos. Uma única dose de metanfetamina pode levar o consumidor a ficar em estado de alerta e intensa agitação por 48 ou 72 horas seguidas. O que a faz ser conhecida – injustamente - como a droga dos internautas. Essa fama vêm, aparentemente, de casos isolados, mas com grande repercussão, de jovens que chegavam a jogar videogames em rede (Lan Houses) até 48 horas seguidas, em países orientais, com resultados inclusive fatais. Na nossa avaliação estes fatos estão mais relacionados a popularidade, nesses países, tanto das metanfetaminas como das Lan Houses, não havendo nenhuma condição particular das atividades dos jogadores com a facilitação do consumo da droga.
Os efeitos das metanfetaminas no cérebro estão relacionados com o aumento abrupto da produção da dopamina, neurotransmissor importante no delicado mecanismo de recompensa cerebral.
Milhões de anos de evolução e seleção naturas proveram nosso cérebro de uma complexa teia neurológica de recompensas para situações que favoráveis a nossa existência. Esse mecanismo regula nosso humor, emoções, excitações, estados de euforia e satisfação. A ingestão regular de euforizantes químicos, notadamente a cocaína e anfetamínicos tais como ecstasy e metanfetaminas enviam um sinal falso para o cérebro de que o consumo desta droga e as situações envolvidas são imensamente benéficas em detrimento daquelas realmente importantes para nossa evolução.
Os efeitos neuroquímicos destes estimulantes no cérebro são confundidos com os mecanismos de recompensa para situações desejadas. Um perigoso atalho que dispensa as situações normalmente requeridas para o disparo desse mecanismo, como sexo, realizações profissionais, amor, companhia de amigos e familiares, inter-relação pessoal, etc.. O resultado neuroquímico mais evidente em usuários é justamente o desequilíbrio deste delicado mecanismo, o que acaba por afastar o usuário das atividades normalmente prazerosas levando-o a buscar a recompensa química nos estimulantes.
É bastante normal usuários deixarem, gradativamente, de se sentirem confortáveis e estimulados para atividades cotidianas. Ao mesmo tempo podem experimentar um euforia quando deparados com assuntos, fatos ou lembranças de episódios de consumo da droga. Isso ocorre por que, quimicamente, seu cérebro passa a buscar mais os estímulos mais fortes e as situações nas quais ele foi “recompensado” em depreciação as situações onde ele normalmente deveria sentir este estímulo.