sábado, 30 de outubro de 2010

Dose Dupla


Naquele dia tudo se misturou: o presente, o passado, o futuro e o imprevisível, para não dizer, impossível. Seria uma noite convencional, devido às pessoas enquadradas. A aniversariante já havia expandindo seus horizontes, mas as convidadas não.

Dose dupla de Vodka é sempre dose dupla de loucura. É Maria e é Joana.

Ainda com os olhos tímidos, ela se surpreendia com as pessoas que chegavam. Com a boca aberta coloca o papo em dia, capturava as imagens, por mania e por segurança. Diga-se lembrança. Mais algumas cervejas e agora só com as três no Rock Bar. Jack já estava um pouco vazio, no entanto o show continuava. Acompanhando a melodia, os braços se cruzavam e os lábios se aproximavam. Alguns se chocavam.

Naquele ambiente vermelho, enfumaçado, as vodkas eram diluídas e dessa vez era hora da Joana se queimar. Joana, vodka, elas, anexo, elas, anexo, e por fim, elas.

Ao pestanejaram, viram um bigode ao acaso acompanhar a terceira. Nesse momento, Blackout!

Após o blackout, faltava o Papa para finalizar a noite. Com o predomínio do ID, elas não hesitavam em se satisfazer, ainda que em público, ainda que sem música.

E o bigode ainda ganhou brincos e meias 7/8 rasgadas.

66 minutos depois, era hora de aprimorar a percepção, psicologia e forma. Eu alucinava nas páginas coloridas.

Foi de incerta feita - o evento.

Foi de incerta feita — o evento. Quem pode esperar coisa tão sem pés nem cabeça?

Quando menos espera, a viúva negra fora infectada por um sentimento há tempos esquecido. Sonhos orgásticos, olhares de sedução, beijos de amor. Tudo fluíra tão naturalmente e inconsciente, que foi difícil perceber, ou melhor admitir para sim mesma.

Entre uma garrafa e outra, ela escondia a vontade de entrelaçá-la fortemente e sentir sua essência. Por quanto tempo mais ela poderia esconder os seus sentimentos ou a sua confusão? Para quem vive o momento, ela estava bem hesitante em decidir o seu presente.

Nada como duas pingas aditivadas e um banheiro para clarear a situação...