terça-feira, 24 de junho de 2008

CASA DO VINHO

Ela era encorpada, tinha uma voz exorbitante e um ritmo excepcional, além do visual exótico, é claro. Já estava envelhecida o suficiente para enlevar quem a bebesse. Era vinho tinto de primeira! Peça rara! Então, todos provaram dela, sugaram-na até a última gota e queriam mais, a primeira safra fora só uma amostra, fora a revelação.

A segunda, veio melhor ainda, pois novas substâncias foram adicionadas e mais extasiante estava. Ela percorreu o mundo inteiro e não tinha descanso, afinal, todos a queriam. Era algo novo no mercado, que ninguém via há anos. Muitos se tornaram viciados nela, e ela, dependente. Mas não do sucesso, não dos consumidores, e sim de certos ingredientes que a fizeram perder o sabor, o corpo, a voz. A rolha secou e o vermelho uva tornou-se ralo, claro, vinagre.

Inconsciente, viciada, velha, acabada, magra, morta. Viva.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Prova o quê?

Tanta pressão, desespero, sermão por causa de uma prova, que não mede inteligência, muito menos o caráter. Mede o nível de treinamento. Quanto mais elevado, mais eficiente. Quatorze anos só para ela. Quatorze anos aprendendo fórmulas, esquemas, decorando, memorizando, enquanto são poucas as coisas levadas para a vida.

As escolas preocupam-se tanto com o nível de aprovação, que os alunos saem delas sem direção. Não sabem como ser um cidadão, como respeitar os outros. Não sabem pensar e muito menos questionar, afinal, não foram treinados para isso. O resultado já apareceu, basta abrir o jornal, ligar a TV, ou, simplesmente, olhar a rua.

Vemos pessoas robotizadas, egocêntricas, hipócritas, cínicas e inconseqüentes, que ainda precisam dos pais para resolver seus problemas, porém, têm belos carros, sorriso irresistível, maquiagem impecável, amigos da moda e roupas de grife. Uns anjinhos não?

O oposto dos Punks, povo esquisito, sujo, que vestem roupas rasgadas, velhas e andam com aqueles hippies e roqueiros, tatuados, furados e maconheiros. Que vida miserável, eles se preocupam com os outros!!! Tadinhos...

Será? Já se foi o tempo em que o sexo e as drogas eram sinônimos de Rock n Roll. Já se foi o tempo em que acreditávamos na paz e no amor e que nossas ideologias seriam concretizadas, entretanto, continua o tempo em que lutamos por isso.

São vocês os estranhos! Só pensam no próprio umbigo. Não lêem, não ouvem, não têm opinião e não procuram conhecer o diferente. Bebemos, fumamos e fodemos, mas nos preocupamos em ser, em ter atitude. Somos responsáveis, trabalhamos o mês inteiro para sustentar o governo, um tanto de político corrupto e depois, nós somos os errados, os foras-da lei e os mal visto.

Quem tá no Rock é para se foder, e se fode mesmo, no entanto, a si próprio. Não fodemos os outros como fazem aqueles caras que adoram um pizza e um circo.

Pense um pouco.