Ela era encorpada, tinha uma voz exorbitante e um ritmo excepcional, além do visual exótico, é claro. Já estava envelhecida o suficiente para enlevar quem a bebesse. Era vinho tinto de primeira! Peça rara! Então, todos provaram dela, sugaram-na até a última gota e queriam mais, a primeira safra fora só uma amostra, fora a revelação.
A segunda, veio melhor ainda, pois novas substâncias foram adicionadas e mais extasiante estava. Ela percorreu o mundo inteiro e não tinha descanso, afinal, todos a queriam. Era algo novo no mercado, que ninguém via há anos. Muitos se tornaram viciados nela, e ela, dependente. Mas não do sucesso, não dos consumidores, e sim de certos ingredientes que a fizeram perder o sabor, o corpo, a voz. A rolha secou e o vermelho uva tornou-se ralo, claro, vinagre.
Inconsciente, viciada, velha, acabada, magra, morta. Viva.
A segunda, veio melhor ainda, pois novas substâncias foram adicionadas e mais extasiante estava. Ela percorreu o mundo inteiro e não tinha descanso, afinal, todos a queriam. Era algo novo no mercado, que ninguém via há anos. Muitos se tornaram viciados nela, e ela, dependente. Mas não do sucesso, não dos consumidores, e sim de certos ingredientes que a fizeram perder o sabor, o corpo, a voz. A rolha secou e o vermelho uva tornou-se ralo, claro, vinagre.
Inconsciente, viciada, velha, acabada, magra, morta. Viva.
Um comentário:
"CASA DO VINHO","A rolha secou e o vermelho uva tornou-se ralo, claro, vinagre."
Adorei o jogo de palavras,a metáfora encaixou direitinho..era um "puta" vinho!!!!
BJAO
Postar um comentário