segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Suite nº 6

















Clube Social ou Social Clube. Primeira tacada. Bolas se colidindo e deixando os rastros pela mesa, que refletia a tonalidade da alegria, do arco-íris, dos homossexuais.

Através das linhas mágicas do Círculo de Viena era possível sentir todas as pulsações. Segunda tacada e a secretária alongou-se como um fluido, divergindo para a penumbra profunda. A cada nova tacada o ambiente se atualizava, outra vodka acabava e eu me dispersava. Uma natureza expansiva surgia em mim e não era possível controlá-la.

A nota estava aberta para a diástole, houve um breve I´m a Gipsy seguido por um longo distorcido derretido The Acid Queen, ambos inaudíveis para ouvidos convencionais, mas claros e exatos para quem tinha aprendido a interpretar os suspiros sintéticos.

Seis, Opus Mil e Doze em Ré Maior.

Cingida, a cinta liga rasgava, o deleite aproximava e voávamos e dançávamos o in-out. As Champagnes esvaziavam e os corpos brindavam. Sístole, diástole, contrações, ruídos, gemidos, dilatações...

De volta à partida, que estava decorada à los 50, iluminada pelo Blues e derretendo à Dali, eu via o Bang Bang!. Cabelos lançados, décadas laçadas, Mcdowell pintado, Marilyn Monroe planificada e Brad Pitt colado.

Sentindo-se bem no verão, Doçura, Doçura, eu não posso recusar. A vida é louca por todo o Universo existem pessoas sós esperando pelo quê? Pelo quê? Nada vai mudar meu mundo nem essa coisa que você faz. Os pássaros cantando para a luz que nunca se apaga. Londres chamando. Doçura, Nova York, 1993, quando eu voltar para o topo e falar da minha geração toda rosa vai ter tido espinho. É uma longa estrada para o lar, por isso não chore quando eu for, mulher Rock n Roll. Você sabe o meu nome, então não espere pelo arco-íris no escuro.

Última contração. Corpo refeito. Dilatação derradeira. Última tacada. Um minuto depois, joelho no chão, eu estava (des) acordada.