sábado, 15 de novembro de 2008

E a saga continua...

31 de Outubro, crepúsculo

Hora de acordar e aprontar para a festa. Não era necessário fantasia, pois minha pele já era pálida e o cabelo, negro. O batom vermelho disfarçava a fome e o blush, a morte.

Encontrei uns amigos e fomos, de ônibus, para nosso destino. Infelizmente o silêncio da noite não esconde as verdades. Sentei-me atrás de dois homens não simpáticos. Um deles levantou-se cambaleando, fedendo à álcool e fedendo à maconha e “pediu” um trocado, visto que acabara de sair da prisão e estava com fome. Infelizmente isso não era “Doces ou travessuras”. Fui obrigada a dar algumas moedas, que mais tarde comprariam O doce, assim como os outros passageiros.

Não demorou muito e chegamos ao local desejado: Drácuba. Subimos uma escada bem inclinada e prosseguimos até a última porta do corredor. A janela emitia uma luz vermelha e luzes de velas.

Uma carranca fumando um charuto cubano, envolvida entre teias e iluminadas pelas tochas na parede, nos recebeu, juntamente com os morcegos do corredor da casa.

Ao luar, vampiros e zumbis se refrescavam. Japonesas e Joaninhas conversavam. Transexuais dançavam. Minhas pupilas dilatavam, minha face corava. Era a sangria sendo absorvida. Meus sentidos se aguçavam e o frenesi era alcançado. Meus olhos sangravam.

À medida que dançava com Drácula, o cenário se transformava. Dançamos na Transilvânia e na Polônia. Em Paris e New Orleans. No Egito e no infinito. Unimos nossos sangues, nossos corpos e nossa solidão. Nos amamos mesmo sem coração.

Acordei espremida no caixão e o castelo queimava.

Nenhum comentário: