Bang bang. I hit the ground
Bang bang. That awful sound
Bang bang. My baby shot me down

Em uma quinta-feira fria, ensolarada e sem a pressão de ter que estudar para as provas de sexta, não há nada melhor que almoçar aquela comida, assistir àquele documentário sobre peixes abissais sem se preocupar em resistir ao sono e, cochilar no sofá, é claro.
Ao acordar com a trilha sonora um pouco mais alta, resolvo tirar fotos e brincar com os cachorros enquanto espero o beija-flor aparecer para clicá-lo. A tarde está calma, os passarinhos cantam e o céu está limpo, sem nuvens e sem rastros de aviões. O sol brilha mais e as cores estão mais intensas. Não sei se é porque estou feliz, talvez mais sensível, mas o dia exala alegria.
Por um tempo, acho que ainda estou sonhando, até que escuto a companhia tocar. Pronto. A morte bate à minha porta. O dia não exala mais alegria, e sim sofrimento, tristeza, infelicidade. Escuto a voz de uma velhinha implorando por dinheiro, humilhando-se por qualquer quantia. Enquanto me explica que sua casa caiu, que seu marido está doente, precisa de ajuda e que... Já não consigo mais escutar, os cachorros começam a latir freneticamente e a voz da senhora, que já era baixa, desaparece por completo. Tudo que eu consigo dizer é que não posso ajudá-la. Perco a voz, meus olhos ficam apertados e meu coração chora. Chego à janela e, através dos buraquinhos do portão da casa, consigo ver, ainda que precariamente, a mulher. Sinto uma vontade tremenda de abrir a porta e deixá-la entrar, de lhe entregar uma nota de R$50,00 e deixá-la descansar. Ao mesmo tempo, penso nas possibilidades de ser um golpe, uma armação, então, fico confusa, e começo a pensar nesse mundo estranho em que vivemos.
Não podemos simplesmente ajudar a alguém, parar na rua e dar comida a uma criança desnutrida, comprar um remédio para um idoso que pede ajuda na porta de nossa casa, dar carona a um estudante, deixar o vidro do carro aberto ao pararmos em um sinal, andar a pé sem medo, sem ligar a visão 360 graus. Somos obrigados a enjaular nosso próprio lar, aumentar o tamanho do muro, colocar cerca elétrica, contratar vigilantes 24 horas, conferir todas as noites se as portas estão bem trancadas, se as janelas estão fechadas e dormir com um ouvido acordado.
Meu dia foi por terra abaixo, só me resta escrever e desabafar meus sentimentos. Abro o jornal, e mais tragédias, ligo a TV, mais conflitos e, o caso da Isabella continua na mídia. A cada dia, divulgam mais a crueldade e frieza do casal Nardoni, mas não é isso que mais me choca, e sim, saber que casos como esse existem aos milhares, e nem sabemos. Em uma sociedade vil, gananciosa, desigual e corrupta, é difícil ter esperança e crer na bondade, mas ainda assim acredito em uma coisa chamada amor.
Ao acordar com a trilha sonora um pouco mais alta, resolvo tirar fotos e brincar com os cachorros enquanto espero o beija-flor aparecer para clicá-lo. A tarde está calma, os passarinhos cantam e o céu está limpo, sem nuvens e sem rastros de aviões. O sol brilha mais e as cores estão mais intensas. Não sei se é porque estou feliz, talvez mais sensível, mas o dia exala alegria.
Por um tempo, acho que ainda estou sonhando, até que escuto a companhia tocar. Pronto. A morte bate à minha porta. O dia não exala mais alegria, e sim sofrimento, tristeza, infelicidade. Escuto a voz de uma velhinha implorando por dinheiro, humilhando-se por qualquer quantia. Enquanto me explica que sua casa caiu, que seu marido está doente, precisa de ajuda e que... Já não consigo mais escutar, os cachorros começam a latir freneticamente e a voz da senhora, que já era baixa, desaparece por completo. Tudo que eu consigo dizer é que não posso ajudá-la. Perco a voz, meus olhos ficam apertados e meu coração chora. Chego à janela e, através dos buraquinhos do portão da casa, consigo ver, ainda que precariamente, a mulher. Sinto uma vontade tremenda de abrir a porta e deixá-la entrar, de lhe entregar uma nota de R$50,00 e deixá-la descansar. Ao mesmo tempo, penso nas possibilidades de ser um golpe, uma armação, então, fico confusa, e começo a pensar nesse mundo estranho em que vivemos.
Não podemos simplesmente ajudar a alguém, parar na rua e dar comida a uma criança desnutrida, comprar um remédio para um idoso que pede ajuda na porta de nossa casa, dar carona a um estudante, deixar o vidro do carro aberto ao pararmos em um sinal, andar a pé sem medo, sem ligar a visão 360 graus. Somos obrigados a enjaular nosso próprio lar, aumentar o tamanho do muro, colocar cerca elétrica, contratar vigilantes 24 horas, conferir todas as noites se as portas estão bem trancadas, se as janelas estão fechadas e dormir com um ouvido acordado.
Meu dia foi por terra abaixo, só me resta escrever e desabafar meus sentimentos. Abro o jornal, e mais tragédias, ligo a TV, mais conflitos e, o caso da Isabella continua na mídia. A cada dia, divulgam mais a crueldade e frieza do casal Nardoni, mas não é isso que mais me choca, e sim, saber que casos como esse existem aos milhares, e nem sabemos. Em uma sociedade vil, gananciosa, desigual e corrupta, é difícil ter esperança e crer na bondade, mas ainda assim acredito em uma coisa chamada amor.
2 comentários:
Comecei a sorrir quando o seu dia virou uma tragédia sentimental.
Sarcasmo?
Não por isso.
Esse relato ficou muuuuuuuuito bem produzido.
surpreenda-me, mais uma vez!
sucesso!
beijo!
e nunca é tarde pra dizer que te adoro.
quero maaaaaaaaaaaaaaaais!
publique!!!
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