segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Caught in a Bad Romance

O álcool era tão intenso que ninguém ousava chegar perto. Foi assim que sua noite começou. De mão em mão ela descobria a vida. Estava pronta para transbordar.

E naquela rodada ela apenas observava a energia descontrolada de uma juventude translocada, tão cheia de vida e tão perto da morte. Tão intensa, tão completa e ao mesmo tempo tão fútil. Entre linhas filosóficas ela se revelava timidamente por detrás da neblina mágica. Entre risadas e alucinações a roda começava a flutuar e ela ainda estava lá, se (des)cobrindo. Nesse momento tudo estava como sempre esteve. Era a hora de iniciar a jornada, que algumas vezes era precedida por tacadas sinestésicas, outras pela porta faroeste, com direito a corrida de ganso.

Porões conhecidos. Todos se sentiam em casa, a música era a trilha sonora daquelas almas rebeldes que se derretiam na pista de dança. Corpos se esfregando, mentes delirando e ela sendo consumida, cada vez mais e mais intensamente. De dedos em dedos ela presenciava tudo. Cheiradas no banheiro, sexo no sofá, brigas na escada, frenesi na pista. Ela era parte disso. Seu efeito era multisensorial!

(Sigmund Freud)

Foi com ela que eu enlouqueci, foi por ela que eu fiz coisas que eu nem sequer me lembro. And she says Just a little more. Era cada vez mais! E como eu consumi aquela mamba preta! E como aquilo era melhor que uma cena de sexo! Obsceno, entorpecido, alucinado. Elevado. Era como se eu tivesse provado da bebida púrpura.

Como nada é para sempre, ela se foi tão rápido que eu só percebi quando estava sozinha, tentando me equilibrar no salto, apoiando naquelas paredes molhadas de heroína, cocaína e sexo. Maquiagem borrada, cinta-liga rasgada e corpo quebrado. Já não penava em nada, meu cérebro era um eterno fluido que pesava de um lado ao outro e me desequilibrava.

(I guess I'll die another Day)


Onde acordei? Não faço a menor idéia. Com quem transei? Não importa, a camisinha estava jogada no chão.

Aquela cachaça era só mais um ingrediente do coquetel mortífero que eu provava todas as noites. Contudo, ele não era o meu vício, muito menos sexo, drogas e rock n roll. Meu vício é sim um coquetel, porém de neurotransmissores. Dopamina. Serotonina. Adrenalina.

We all lose our charms in the end!
Diamonds are a Girls Best Friends!

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